“chamado” – ou uma das práticas de letramento – pode ser representada pelas badaladas do sino da pequena igreja que tinha o papel de convocar a todos para se reunir; o comércio acontecia de forma satisfatória, (o vendedor vendia até o sorriso dos moradores de Javé) os moradores sabiam da importância das anotações e encarregavam o vendedor de registrá-las, isto é, sabiam da importância da registro, mas passavam esta tarefa a outro. Diante disso verifica-se que o mesmo Estado que exigia “o documento oficial ”não possibilitava esse direito aos moradores. Pode ser algo proposital, mas a ausência do próprio sacerdote neste contexto contribui para um processo de exclusão. Nem mesmo a religiosidade daquele povo parece ter sido respeitada. Há uma igreja, mas qual a função dela?
O filme mostra a posição de poder da cultura letrada sobre a cultura popular oral tendo em vista que o Estado apenas reconhece como válida a história de Javé se houvesse o documento – o livro de Javé. Há momentos que evidenciam essa supremacia todos falam ao mesmo; o escriba dorme durante os relatos e ainda há brigas entre os narradores. O que vemos é uma dualidade, pois a linguagem oral não é vista como algo que complementa que acrescenta, mas algo que deve ser substituído, negado. As diferenças culturais parecem não caber nesse cenário.
O filme sinaliza para uma tomada de consciência sobre as diversas formas de expressão da cultura brasileira, cabe a nós professores, aproveitarmos as leituras e reflexões do GESTAR II para aprofundarmos nosso conhecimento no sentido de eliminar a visão preconceituosa que considera a cultura letrada superior à oral. Uma cultura marcada pela exclusão lingüística e social. Aprender e respeitar as diferentes culturas nos leva a busca de uma identidade verdadeiramente brasileira.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
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