quarta-feira, 25 de novembro de 2009

acompanhará, etc. outros contos, como é o caso de O gato Preto, de Edgar Allan Poe, levam os estudantes a buscar gêneros como o Boletim de Ocorrência, Participação de Falecimento, etc. o que revela o potencial desafiador da atividade proposta, no sentido de oferecer um alto grau de liberdade para a manifestação da verve criativa dos estudantes. Muito produtivo, também, tem se mostrado a proposição do circuito partindo do trabalho com um gênero do ambiente discursivo jornalístico: Anúncios Classificados, que funcionaria como gerador de Reportagem, Entrevista, até de um gênero do ambiente discursivo literário como o Conto, envolvendo personagens em um enredo que tenha como input o objeto que está sendo anunciado. Considera-se produtivo esse trabalho não pelo fator quantitativo de textos gerados a partir de um gênero, mas pela capacidade de reconhecimento dos diferentes ambientes discursivos e pela possibilidade da apropriação dos respectivos gêneros textuais que ali circulam. Em outras palavras, o transito pelos diferentes ambientes discursivos e o domínio dos gêneros textuais são componentes decisivos para o desenvolvimento da competência discursiva, uma vez que permitem aos usuários da língua interagir de maneira autônoma e potencialmente resolutiva na sociedade.
(trabalho apresentado com professores da rede municipal de ensino pela UCS. In BALTAR, Marcus et alii. Circuito de gêneros: atividades significativas de linguagem para o desenvolvimento da competência discursiva).
Após a leitura e discussões sobre esse texto de apoio encaminhou-se a leitura do texto Tragédia Brasileira a fim de que os cursistas pudessem elaborar a partir dele outros textos – de preferência que circulem fora do ambiente escolar.

(Manuel Bandeira)

Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos de idade, conheceu Maria Elvira na Lapa- prostituída, com sífilis, dermite nos dedos, uma aliança empenhada e com os dentes em petição de miséria. Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num sobrado no Estácio, pagou médico, dentista, manicura... Dava tudo que ela queria.
Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado.
Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada. Não fez nada disso: mudou de casa.
Viveram três anos assim. Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, Misael mudava de casa.
Os amantes moravam no Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua Clapp, outra vez no Estácio, Todos os Santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato, Inválidos...
Por fim na Rua da Constituição, onde Misael, privado de sentidos e de inteligência, matou-a com seis tiros, e a polícia foi encontrá-la caída em decúbito dorsal, vestida de organdi azul.
Após a leitura e discussões sobre o texto debatemos sobre quais possibilidades de gêneros este texto poderia suscitar. Os cursistas elencaram vários dentre eles: entrevista, diálogo, carta, jornalístico, bula de remédios, cordel, depoimento, intimação, boletim de ocorrência, dissertação sobre prostituição, traição, machismo...)
Falamos sobre a importância de fazer chegar às salas de aula/escolas os textos que circulam fora dela. Durante a organização dessa oficina pudemos contar com o apoio da Polícia Civil de Alta Floresta que gentilmente nos cedeu textos que circulam naquele ambiente. Dentre eles: Mandado de busca e apreensão, auto de avaliação indireta, prisão em flagrante delito, interrogatório, termo de declarações, depoimentos, mandado de condução.
Após uma nova leitura do texto os cursistas foram convidados a aplicar os conhecimentos obtidos a partir da leitura e das socializações realizadas. Fazendo com que esse texto se tornasse não literário, e cumprisse o papel da escola de fazer o conhecimento ser de fato significativo aos alunos produtores de textos.
Durante o desenvolvimento dessa atividade verificamos a curiosidade dos professores em conhecer esse tipo (jurídico) e gêneros textuais. Organizados em grupos de cinco integrantes cada – os grupos escolheram um dos gêneros acima descritos para efetuarem a produção.
Observamos um grande envolvimento por parte dos cursistas em realizar essa atividade. Uma cursista pediu que fosse esclarecido melhor sobre a diferença entre texto literário e não literário. As explicações foram dadas em termos teóricos e práticos. Ficou visível essa diferença a partir das produções elaboradas.
Um grupo optou por elaborar uma notícia sobre a morte de Maria Elvira. Outro realizou o depoimento do Misael, o terceiro realizou o auto de prisão, o seguinte o interrogatório do assassino.
Em função do envolvimento dos cursistas pedimos que um componente do grupo digitasse e encaminhasse para a equipe do gestar. A equipe se responsabilizou em enviar as produções a todos os cursistas- via email ou xérox.
Depois dessa atividade os mesmos 4 grupos realizaram a atividade prevista no TP3 – oficina 5. O primeiro elaborou o planejamento a partir da música “bom dia’, enfocando mais questões de oralidade; o segundo trabalhou com o poema e enfocou os aspectos gramaticais. Além de pedir a produção de outro poema nesses moldes. Outro grupo resolveu trabalhar com a interpretação e levar jornais para a sala de aula afim de que os alunos pudessem produzir poemas a partir de notícias. O quarto grupo objetivou verificar semelhanças e diferenças dentro do texto. Através de interpretação oral e escrita.
Os grupos através de seus planos de aula objetivaram mostrar os gêneros literários e não literários que circulam dentro e fora da escola; desenvolver a oralidade, a concentração, a atenção e a socialização dos alunos através das leituras coletivas, análise lingüística e produção de textos. Além de despertar e desenvolver as habilidades poéticas.
Após a socialização dos planos de aula. Realizou-se a avaliação.


RELATÓRIO DA OFICINA 5 – TP 3- ALTA FLORESTA –
PERÍODO VESPERTINO

A oficina aconteceu nas dependências do Secitec no dia 24/04/2009. Iniciamos dando as boas vindas a todos os presentes. Um dos critérios para a realização das oficinas é o de que seguíssemos os horários estabelecidos e, dessa forma iniciamos alterando um pouco a programação tendo em vista que nem todos os cursistas estavam presentes. Optou-se por iniciar as socializações do “avançando na prática” e depois retomássemos a ordem inicial.
A grande maioria dos cursistas realizou o trabalho com a biografia. Alguns pontos foram destacados pelos cursistas: o interesse dos alunos em realizar as atividades, a busca por outras leituras, a motivação dos alunos ao entrevistarem professores e funcionários da escola para fazer as biografias.
Verificamos que alguns relatos contemplaram as expectativas dos formadores – pois além do registro, vieram acompanhados de fotos e textos dos alunos. E, em função dos comentários de alguns cursistas, os demais que ainda estavam se mostrando resistentes em realizar as atividades resolveram (re)fazer seus relatos e entregá-los na semana seguinte. Após os relatos realizou-se a dinâmica “os Sonhos “ cujo objetivo era o de organizar diferentes grupos para a realização das atividades da oficina. Na sequência houve a apresentação dos conceitos sobre Gêneros textuais que são maneiras de organizar as informações lingüísticas de acordo com a finalidade do texto, com o papel dos interlocutores e com as características da situação. Para compreender essa organização é preciso atentar para a Competência Lingüística, isto é, aprender o código lingüístico da Língua Portuguesa e levar em conta a Competência Sociocomunicativa que é a capacidade para perceber as diferenças na organização dos textos (depende das experiências/ cultura). Toda comunicação se dá por textos. E todo texto se realiza em um gênero. Dessa forma Gêneros textuais – não se definem por aspectos formais ou estruturais da língua. Estão ligados à natureza interativa do texto – funcionalidade/usos.

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