quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A Formação em Língua Portuguesa
O trabalho em Língua Portuguesa é visto como um processo de interação, seja com os professores, seja com os colegas (idéia básica do desenvolvimento proximal), seja com documentos ou outras manifestações humanas. O texto é visto como a concretização das situações de interação e um produto de condições sócio-históricas, em que a significação é o ponto central. Há ainda um forte apelo ao letramento, ou seja, é um processo contínuo de crescimento, envolvendo todos em um projeto educacional. Dessa forma, busca-se valorizar o professor como aquele que, ao mesmo tempo em que ensina, está em constante processo de aprendizagem. Diante dessa perspectiva os cursistas disseram que:

Esta formação me abriu muitos caminhos. Aprendi a trabalhar de maneira diferenciada a leitura e a produção de textos.

Abriu um amplo leque para o meu conhecimento sobre o assunto

Tem me ajudado bastante quanto ao domínio da sala de aula, pois se trabalha o conteúdo de forma prazerosa.

A importância dos Estudos individuais e grupais
O Gestar II se baseia na concepção sócio-construtivista do processo de ensino- aprendizagem. Nesta visão o conhecimento se dá por meio de relações interativas. Dessa forma, durante a formação, os cursistas estudaram e planejaram os conteúdos (individualmente e em grupos de estudos) antes de apresentá-los a seus alunos. Prepararam as suas aulas selecionando técnicas e materiais adequados, além de trocar informações e realizar planejamentos coletivos com outros cursistas. Conforme podemos verificar:

Os estudos individuais e em grupos foram ótimos, as trocas de experiências, as atividades, ou seja, as diversidades de trabalhos desenvolvidos na sala, tudo serviu de fonte enriquecedora e de conhecimentos.

O fato de termos um tempo para realizarmos leituras individuais nos proporciona autoconhecimento, pois é um momento de reflexão sobre nossas práticas anteriores, os estudos em grupos nos permitem discussão e consequentemente acréscimo e autoconfiança.

A importância dos encontros presenciais/oficinas
Os encontros presenciais envolvem socialização das ações pedagógicas, leituras, discussões e aprofundamento de conceitos abordados nos Tps e dinâmicas que motivam o professor a relacionar os aspectos teóricos discutidos à sua prática cotidiana em sala de aula e a compartilhar reflexões e estratégias com os seus colegas de grupo. Observe os depoimentos sobre esses encontros:
É um momento de aprendizagem, trocas de experiências, relatos das atividades, a socialização. Aprendemos na coletividade. A fundamentação teórica, os textos de embasamento para compreender o conceito são parte do conjunto.

As oficinas são muito produtivas porque vem fazer com que reflitamos sobre as práticas de sala de aula e os avançando na pratica, pois são desenvolvidos antes das oficinas e então podemos analisar o que deu certo e errado e os porquês.

A necessidade de continuidade de formações nesses moldes
A formação continuada do Gestar II vem proporcionando aos professores cursistas espaços de reflexão conjunta e de investigação, no contexto da escola, acerca das questões enfrentadas pelos mesmos. Conta também com um espaço para a socialização das experiências, como forma de construção de conhecimentos, saberes e competências dos professores. Provoca discussão e reflexão sobre problemas do ensino, articulando a proposta pedagógica e curricular e o plano de ensino. Conforme relatado nos depoimentos abaixo:
É de grande importância e acredito que deve continuar nos próximos anos, pois está contribuindo bastante nas produções textuais e interpretação para meu conhecimento em sala de aula. São atividades satisfatórias que despertam o interesse dos alunos.

Vejo a necessidade de continuidade de estudos nesses moldes, uma vez que já clareou bastante nossos trabalhos, nossas praticas em sala de aula e pessoalmente também.

É importante discutirmos sobre o que está acontecendo na educação e com a educação, principalmente na língua portuguesa.

A Prática Pedagógica pautada em estudos, reflexões e troca de experiências (tríade ação-reflexão-ação).
Apesar de estarem em exercício e, a maioria ser habilitado/e ou especialista em Língua Portuguesa e Literatura, terem consciência de que os saberes da experiência são gerados na atuação profissional e que essa experiência é vital para o exercício de sua atuação pedagógica realizaram uma reflexão comparativa entre suas práticas antes e durante a formação do Gestar II. Conforme podemos verificar abaixo:

Antes a preocupação era com a gramática e hoje a educação se voltou mais para a variedade de ensino em relação ao estudo com textos.

Passei a enxergar meu trabalho como uma pesquisa diária, onde devo refletir e melhorar para obter o melhor de cada aula.

Não gostava muito de escrever, porque pensava que sempre estava fazendo errado, mas depois de trabalhar nas produções de textos e ouvir depoimentos dos outros professores, aprendi a gostar mais de escrever e espero que daqui para frente consigo mudar alguma atitudes.

Consegui visualizar melhor a problemática da leitura no terceiro ciclo da terceira fase – 8ª C onde uma grande parte não tinha o hábito de ler. Foi um longo caminho percorrido para decidir realmente o que e como fazer. O material do Gestar foi muito útil neste aspecto. Rever novamente o que ler? Como ler? E para que ler? Hoje posso afirmar que deu certo. A leitura nesta turma fluiu, ultrapassou o esperado e os alunos me surpreenderam

Comparando os trabalhos e os conhecimentos antes e com o Gestar, no que se refere a leituras e produção de texto - eu era muito gramatiqueira e pouco trabalhava com textos.

Podemos afirmar que essa formação favoreceu o delineamento de uma perspectiva de compreensão e de investigação que destaca o estreito vínculo entre as ações e a reflexão do professores. Para identificar essa concepção, vários termos têm sido utilizados: prática reflexiva, professor reflexivo, (ZEICHENER, 1992, 1993), reflexão na ação (SCHÖN, 1992, 1994), professor como prático autônomo (PÉREZ GÓMES, 1992, 1996), entre outros. Dedicando-se ao tema, os autores indicados têm apontado a prática como local e oportunidade de aprendizagem do professor sobre o seu próprio trabalho.
Sobre a transposição didática a partir dessa formação
Um dos momentos fortes dessa formação se deu nos chamados “Avançando na Prática”, ou seja, o momento de relatar sobre o que fazem e como fazem. Assim os cursistas descrevem e justificam seus avanços em relação as suas ações na escola e na sala de aula. Segundo os depoimentos abaixo:
A transposição didática contribuiu para que as atividades oferecidas aos alunos tornassem as aulas mais produtivas

Minha prática foi enriquecida, sobretudo quanto aos gêneros textuais e a forma de trabalhar com eles na prática.

O gestar II me proporcionou uma nova transposição didática e reflexão de como agia e o que mudou. Com ele pude trabalhar com meus alunos os conteúdos propostos, com novas metodologias e assim prendendo a atenção dos mesmos.

Percebe-se que o professor é capaz de gerar conhecimento pedagógico no contexto de seu trabalho de sala de aula, se inserido em processos de formação que lhe permitam desenvolver instrumentos intelectuais, responsáveis por facilitar a reflexão sobre a prática docente, a interpretação e a compreensão dos processos de ensino e de aprendizagem.

Participação dos alunos nas atividades propostas.

Em relação ao trabalho junto aos alunos verificou-se que a forma como os cursistas conduziram as atividades contribuíram para que as aulas se tornassem significativas. Conforme relatos apresentados:

Gostaram, participaram e se divertiram nas aulas de Língua Portuguesa.

Eles gostam quando recolho o “Caderno de Produção” para mostrar e levar no nosso encontro alguma atividade desenvolvida em sala de aula.

As atividades levaram os alunos a ter um desempenho muito grande. Melhoraram a leitura e a produção de vários tipos e gêneros textuais. Além de passarem a utilizar as mídias como ferramentas de estudo.

Considerações Finais
Queremos dizer que não consideramos esta formação como suficiente para a exclusão de outras formações. Apenas evidenciamos alguns relatos que são reveladores de uma prática pedagógica comprometida do professor no sentido de atuar de forma consciente, produtiva e adequada à sua comunidade, valorizando as práticas democráticas, propiciando aos alunos o desenvolvimento de habilidades de compreensão, interpretação e produção dos mais diferentes textos.
Mudanças de atitudes vêm sendo desencadeadas, pois os professores que antes da formação apenas pediam que os alunos produzissem textos – hoje elaboram seus textos e apresentam para seus alunos – a isso chamamos parcerias reais. Os alunos, por sua vez, começam a compreender a leitura como forma de superar as desigualdades existentes onde vivem. Muitas aulas de Língua Portuguesa – estão com “gostinho de quero mais”. As atividades de leitura e escrita (realizadas a partir dos estudos do Gestar II) têm possibilitado aos usuários professores e alunos, de forma eficiente, a prática e a reflexão sobre as diferentes situações sócio-comunicativas, os gêneros e as técnicas (mídias), visando dessa forma, a inserção de professores e alunos na sociedade, como cidadãos conscientes, capazes não só de analisar as várias situações de convivência social como também de fazer uso das diferentes tecnologias a fim de se expressar criticamente em relação a elas.

Referencias Bibliográficas
COSCARELLI, Carla Viana. Novas tecnologias, novos textos, novas formas de pensar. 3ª ed. Belo horizonte: Autêntica, 2006.
LAMPERT, Ernani. Experiências inovadoras e a tecnologia educacional. Porto Alegre: Sulina, 2000.
POCHO, Claudia Lopes. (et al) Tecnologia Educacional: descubra suas possibilidades na sala de aula. 2ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.
Programa Gestão da Aprendizagem Escolar – Gestar II. Guia geral. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2008.
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua portuguesa. Brasília: MEC/SEF, 2001.

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