terça-feira, 24 de novembro de 2009

RELATÓRIO SEMESTRAL GESTAR PARA A UNB 1

Portuguesa e levar em conta a Competência Sociocomunicativa que é a capacidade para perceber as diferenças na organização dos textos (depende das experiências/ cultura). Toda comunicação se dá por textos. E todo texto se realiza em um gênero. Dessa forma Gêneros textuais – não se definem por aspectos formais ou estruturais da língua. Estão ligados à natureza interativa do texto – funcionalidade/usos.
A identificação e classificação dos textos- resulta de um “jogo” de fatores lingüísticos e sociais. Segundo Luiz A. Marcuschi são eventos textuais altamente socioculturais, dinâmicos e plásticos – surgem de acordo com as necessidades e atividades socioculturais, bem como na relação com inovações tecnológicas. Não são inovações absolutas – é a chamada transmutação dos gêneros – que é a assimilação de um gênero por outro gerando novos. Ex: email_ carta. Gênero poético - é o que privilegia a musicalidade, o ritmo das palavras, a sonoridade e no qual predomina a função poética da linguagem (EU) – as palavras são geralmente usadas com sentido figurado. É a situação sociocomunicativa que define nitidamente, se um texto pertence ao gênero poético ou não. Subclassificação – gênero poético – O cordel. É um gênero textual com origem na Idade Média, que ainda hoje tem sua função social de ensinamento, de aconselhamento, de transmissão de informações. Originalmente uma narrativa oral popular, o texto de cordel conserva marcas de oralidade e a forma em verso tem o objetivo de facilitar a memorização para ouvintes muitas vezes analfabetos. Representa também uma transição entre a cultura popular e a literária - Ariano Suassuna- é um grande estudioso do Cordel.
Com os grupos formados foi distribuído o texto “Circuito de gêneros” > Obs: esse texto foi trabalhado durante a formação em Cuiabá – pela professora assessora da disciplina de Literatura.

Circuito de Gêneros

A atividade que denominamos Circuito de Gêneros surgiu da necessidade de criar um espaço propício para o vicejamento da versatilidade linguístico-discursiva dos estudantes ao trabalhar, em um curto espaço de tempo, com vários gêneros textuais que circulam em ambientes discursivos diversos, com um grupo de estudantes para quem o contato com esses gêneros serviria como uma forma de, não só reconhecer a variedade dos gêneros com os quais interagimos como também experimentar sua produção, mobilizando os conhecimentos necessários para tanto. Foi com tal propósito que desenvolvemos essa atividade didático-pedagógica, cujo núcleo é a possibilidade de trabalharmos a produção de gêneros variados a partir de um gerador (conto, carta, filme, entre outros), evitando, assim, que a atividade se restrinja à descrição desses gêneros. Partimos, então, de um conto para propor a produção de novos textos/gêneros, oriundos de linguagem plausíveis, a partir do desvelamento do enredo da narrativa.
O trabalho com o Circuito de Gêneros inicia pela leitura do texto gerador, em nosso caso, o conto de Calvino (1990) Marcovaldo e as estações na cidade, cujas características possibilitam ao estudante construções operárias reversíveis, uma vez que seu enredo, revestido de uma aparente simplicidade, guarda uma rica complexidade a ser explorada, tanto no que diz respeito à sua construção como um gênero do ambiente discursivo literário quanto às possibilidades interpretativas que gera.
O processo heurístico que subsidia esse trabalho oportuniza um monitoramento diferenciado, tanto por parte do professor, quanto por parte dos estudantes, uma vez que envolve atividades metacognitivas de ambos, criando espaços para atividades de ensinagem auto-reguladas que promovem o desenvolvimento da autonomia interativa dos estudantes.
Assim, fica evidente que o reconhecimento da estrutura do gênero não pode, de fato, ser a finalidade última dessa atividade, que precisa levar o estudante a um trabalho interpretativo em que ele encontre a possibilidade de expressar o manancial de cenários e representações criadas a partir da compreensão do funcionamento do texto/gênero textual na atividade de linguagem que está em jogo. As imagens construídas mobilizam os saberes por ele interiorizados, criando a possibilidade de conexões entre esse imaginário descortinado pelo texto literário e suas vivências dentro do processo de interação sociodiscursiva.
A imersão no texto também permite a identificação do papel sociointerativo das personagens no conto. Parte-se da imagem que o estudante tem dessas personagens para o reconhecimento dos elementos lingüístico-textual-discursivos que subsidiam tal construção, movimento que oferece ao estudante a possibilidade de visualizar, também o lugar ocupado por essas personagens no enredo e, portanto, construir inferências sobre os espaços da esfera social que o texto reconstrói. O tratamento com vespas, cujo enredo envolve, em síntese, uma personagem chamada Marcovaldo, que descobre, por meio de uma notícia de jornal lida por um amigo reumático, um possível tratamento para o reumatismo – doença que assola a população de sua pacata cidade – foi escolhido por ser altamente provocativo, gerando cenários variados e podendo desencadear uma série de atividades e ações de linguagem. O tratamento desenvolvido por Marcovaldo é um procedimento não muito convencional que utiliza picadas de abelhas diretamente no local da dor. A invenção da personagem cria fama e Marcovaldo, envolvendo mulher e filhos no negócio, transforma sua casa em um consultório, passando a atender ali toda a população. Eis que de repente acontece um acidente na coleta das abelhas e um enxame raivoso adentra sua

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