quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Propósito da disciplina – Língua Portuguesa

Falar sobre o propósito da disciplina de Língua Portuguesa nos leva a pensar o Programa GESTAR II em sua caracterização tendo em vista a sua amplitude e importância para a educação pública brasileira. Iniciarei, então, falando sobre um programa de formação continuada semipresencial orientado para a formação de professores de Português e de Matemática que objetiva a melhoria do processo de ensino aprendizagem.
O foco do programa é, portanto, a atualização dos saberes profissionais por meio de subsídios e de acompanhamento da ação do professor no próprio local de trabalho. Não pode ser considerado “novo” porque tem como sustentação teórica os Parâmetros Curriculares Nacionais que já estão a disposição dos profissionais da educação desde 1997. Mas pode ser considerado inovador porque assegura em um mesmo material pedagógico de formação continuada a teoria que fundamenta atividades que fazem parte do cotidiano de nossos alunos.
Além disso, essa formação continuada propicia uma ferramenta de profissionalização: espaços sistemáticos de reflexão conjunta e de investigação, no contexto da escola, acerca das questões enfrentadas pelo coletivo das escolas. E proporciona espaços para a troca de experiências , como forma de construção de conhecimento, saberes e competências dos professores. Ainda espera-se que provoque uma mobilização da comunidade escolar em torno de um projeto social e educativo da escola.
O programa Gestar II chega num momento em que os cursinhos de 40 horas (tão procurados anteriormente) já não suprem as necessidades latentes de nossas salas de aula – a necessidade de aliarmos estudos, reflexões e socialização de nossas práticas pedagógica com nossos pares, pois muito conhecimento teórico já foi proporcionado, porém a sistematização da prática pedagógica fundamentada e refletida teoricamente, sempre deixaram a desejar. Acredito que o Gestar II possa de fato fazer a diferença “lá na sala de aula” pois o mesmo considera a situação concreta dos professores participantes- eles devem estar em pleno exercício profissional.
Assim, procura garantir a qualidade do processo de ensino-aprendizagem através de ações sistêmicas e estratégias de estudo individual e de atividades presenciais, individuais ou coletivas, coordenadas por um professor formador.
O trabalho do Gestar II se baseia na concepção sócio-construtivista do processo de ensino- aprendizagem. Nesta visão, alunos e professor constroem juntos o conhecimento em sala de aula. O aluno é sujeito de seu aprendizado. Já o professor é um mediador que coloca o aluno em contato com o conhecimento construído historicamente e com ele trabalha os conteúdos daquele nível de ensino.


Através desse breve percurso percebemos que a proposta de formação continuada do Gestar II através de estudos, reflexões e práticas nos leva a criar uma nova escola, que contempla a complexidade do mundo contemporâneo, pois todos precisamos compreender (temas transversais) e articulá-los com a educação de nossos alunos. Diante disso é possível vislumbrar uma escola mais democrática que deve vislumbrar a autonomia e, ao mesmo tempo a emancipação de nossos alunos.
Mas o que podemos esperar em Língua Portuguesa? De acordo com os objetivos propostos espera-se oportunizar ao professor de Língua Portuguesa um trabalho que propicie (a ele – grifos meus) e aos alunos o desenvolvimento de habilidades de compreensão, interpretação e produção dos mais diferentes textos. Visando à inserção dos alunos na sociedade, como cidadãos conscientes, capazes não só de analisar as várias situações de convivência social como também de se expressar criticamente em relação a elas.
A linguagem é vista como um fenômeno cultural, isto é, é elemento constituinte, na realização de nossas experiências. Dessa forma toda a discussão se faz “no texto”. Texto entendido como processo de elaboração e reflexão sobre os diversos usos da linguagem nas diferentes situações sócio-comunicativas.
Entende-se , a linguagem como atividade que não se faz em palavras e frases isoladas, mas que se realiza em processos reais de comunicação, como discurso e texto. A competência discursiva, portanto, é adquirida pelo aluno na e pela atividade de linguagem, em atividades de leitura e de produção de textos inseridas em situações linguisticamente significativas, nas quais é considerada a dimensão discursivo-pragmática da linguagem. Do mesmo modo, os conhecimentos lingüísticos são adquiridos em processos de reflexão e operação sobre a linguagem, em práticas contextualizadas de leituras e produção de textos.
Diante disso espera-se que a escola forme indivíduos reflexivos e críticos que possam atuar nas diversas situações discursivas, expressando-se oralmente e por escrito em diferentes padrões de linguagem, especialmente o culto, adquirindo também a competência leitora para obter informações, interpretar dados e fatos, recriar observar, comparar e compreender textos.
Em relação aos cursistas de Língua Portuguesa espera-se que possam apresentar-se como locutores e interlocutores, com amplo domínio da linguagem; refletir sobre a linguagem e a língua portuguesa; reconhecer os usos sociais da língua em todas as modalidades, além de posicionar-se criticamente com relação aos diversos tipos de textos; dentre eles os artísticos e os literários; observar e registrar os fatos da gramática interna, descritiva e normativa; saber selecionar os conteúdos e as matérias em função das características de seus alunos; pesquisar e avaliar estratégias e métodos mais adequados e inovadores para a sua atuação.
Como profissional da educação deve ser capaz de atuar de forma consciente, produtiva e adequada à sua comunidade, valorizando as práticas democráticas – através do engajamento em projetos de aperfeiçoamento (formação profissional); atuar coletivamente, partilhando experiências e projetos. Além de continuar a refletir sobre a sua prática docente e sobre a atuação da escola e suas relações com a sociedade.
O Gestar II exige mudanças de comportamento. Ler, refletir e sistematizar essas ações é um bom começo...







Propósitos Pessoais
Falar dos meus propósitos me remete a um passado bem próximo- fevereiro de 2009, mais precisamente a semana pedagógica. Durante aqueles dias eu estava muito desanimada com a nossa atuação pedagógica. Comecei a refletir sobre minha prática pedagógica – organizando algumas atividades/alternativas para fazer de minhas aulas espaços mais significativos.
Numa tarde fui convidada pela coordenadora do Cefapro de Alta Floresta MT professora Maria Luiza para participar da equipe de formadores do Programa Gestar II de Língua Portuguesa. Pensei que talvez essa formação pudesse contribuir para sanar minhas angustias e, ao mesmo tempo eu viesse a contribuir com outros profissionais da área.
Após a apresentação da proposta do Gestar II e de manusear os TPs fiquei muito satisfeita ao perceber que a proposta e os materiais tinham sido elaborados por pessoas que tinham as mesmas angustias que eu – o que fazer para melhorar os problemas de leitura, interpretação e produção de textos dos alunos? Que material usar? Será que minha prática pedagógica está fundamentada em alguma teoria?
Respirei aliviada ao perceber que nessa formação poderíamos encontrar nossos pares, trocar experiências, sistematizar práticas pedagógicas, refletir, aplicar e avaliar coletivamente nossas ações.
Agora estou formadora no Gestar II e, estou bastante satisfeita com as leituras, os estudos em grupo, a preparação, organização e realização das oficinas. O Gestar II veio dar uma injeção de ânimo e contribuir para que eu adquira uma nova postura pedagógica.
Que eu possa continuara a ser locutora e interlocutora, com amplo domínio da linguagem, refletindo sobre a linguagem e a língua portuguesa; reconhecendo os usos sociais da língua em todas as modalidades, além de continuar a posicionar-me criticamente com relação aos diversos tipos de textos. Que eu deixe de usar em sala de aula apenas a gramática normativa, mas que possa observar e registrar os fatos da gramática interna, descritiva e normativa. Que eu saiba selecionar os conteúdos e as matérias em função das características de meus alunos. Ter a pesquisa como ferramenta pedagógica e, que eu consiga aprender outras estratégias e métodos mais adequados e inovadores para a minha atuação.
Quero continuar a participar de forma consciente, produtiva e adequada junto à minha comunidade, valorizando as práticas democráticas. Gostaria muito de realizar o Mestrado em minha área, pois já tentei na área da educação, mas não foi reconhecido. Perdi tempo, mas ganhei conhecimento com os estudos e a elaboração da dissertação.
Quero que a equipe que preparou o Gestar II pense também em um Gestar para o Ensino Médio, pois as carências são as mesmas do ensino fundamental. Quero continuar a partilhar experiências e projetos. Além de trocar experiências, refletir e sistematizar minha prática docente.




Memorial Reflexivo

Iniciei meus estudos em uma escola multisseriada, pois morávamos em um sítio afastado da cidade e a única escola ficava há uns quatro quilômetros de distância de nossa casa. Somos três irmãos Claudevir, Eliene e eu a caçula Eliane. Meus irmãos, já estudavam quando eu comecei a admirar as letras. Lembro-me que meu pai e minha mãe sempre diziam “estudem meninos, pois o estudo é a herança que podemos deixar para vocês”. Meus pais sempre foram muito preocupados com nossa formação acadêmica – e, mesmo não possuindo muito dinheiro sempre íamos para a escola uniformizados, (às vezes era minha própria mãe quem os costurava) compravam nossos livros e todos os materiais escolares. Nunca deixamos de fazer nenhum trabalho ou atividades por falta de livros ou outras fontes de pesquisas.
Antes mesmo de começar a freqüentar a escola eu já conhecia as letras do alfabeto e alguns números, porque eu era muito invejosa e, quando via meu irmão lendo, escrevendo e desenhando. Eu ficava perguntando... Ele era muito inteligente, desenhava cada coisa. E, por isso era sempre era elogiado pelos professores e pela diretora da escola.
Para ter uma idéia ele fechava as notas todas no terceiro bimestre. Quando eu ouvia os elogios sobre ele eu pensava “vou ser igual a ele” para também ficar recebendo os parabéns. Já a minha irmã não era muito ligada aos estudos, ela não gostava das professoras e dos estudos. Naquele tempo eu ficava xeretando os cadernos e os livros deles porque eu queria aprender as letras.
Fui para a escola e, como eu já era “dos mais fortes” já fui ficando no meio do quadro. Observação: o quadro era dividido em quatro partes. Então eu fazia as minhas atividades bem depressa, depois ia realizando as atividades dos demais alunos também. Coitada da professora Ilza. Ela se via doida para me conter, mas era difícil. Minhas tarefas eram sempre as mais bem feitas – pensa em uma pessoa metida! Ganhava até presente dessa professora.
Lembro que meu pai sempre acompanhava nossa educação bem de perto. Por muitos anos ele foi o Presidente da APM – Associação de Pais e Mestres. Sabia de tudo o que acontecia na escola. Participava de todas as decisões e das festas escolares. Meu pai tem apenas o quarto ano primário, mas seus conhecimentos vão muito além. Já minha mãe estudou pouco, teve que deixar os estudos, pois trabalhava na roça e quando chegava do serviço tinha que fazer as tarefas da casa. Ela não nos ensinou através das letras, mas através dos gestos e ações. Na sua simplicidade nos ensinou a ser pessoas dignas. Lembro-me que à noite, enquanto ela catava feijão para cozinhar no dia seguinte – lançava de vez em quando seu olhar de carinho e compreensão sobre nós que estávamos ali, na maior tensão mostrando o que tínhamos estudado para o meu pai. Ele pedia para ver os conteúdos. Depois ele “tomava o ponto”, isto é, ele fazia perguntas sobre aquele texto para que respondêssemos. Assim, ele nos avaliava. Como eu aprendi com meu pai. Hoje digo que ele foi/é um grande Pai- professor.
Estudei naquela escolinha até a quarta série. Depois tive que ir estudar na cidade. Como foi difícil a adaptação. Amizades novas, professores que entravam e saiam a cada 50 minutos. Meu Deus! Que saudades da professora Ilza. Passaram uns dias e, as coisas foram se ajeitando. Como era longe tínhamos que levantar às quatro da manhã para conseguirmos chegar à escola antes das sete. Íamos de bicicleta. No início eu tinha que ir na garupa da bicicleta do meu irmão, mas depois ganhei uma monareta. Fiquei tão feliz que cai apenas um tombo.
Nesse período meu irmão terminou a oitava série e tinha que mudar de cidade para continuar os estudos. Ficou apenas eu e minha irmã. Meu pai, então ficou com medo de nos deixar fazer aquele percurso sozinhas e, decidiu arrumar uma casa na cidade para que nós pudéssemos ficar. Ele falou com uma senhora, amiga dele (uma alemã que era o bicho- exigente, tipo Hitler). Nessa casa, nós tínhamos que fazer todos os serviços domésticos. E, por mais bem feito que fazíamos ela sempre reclamava. Nós íamos aos finais de semana para casa e, falávamos para nossa mãe tudo o que estava acontecendo. Nossa mãe dizia que sem sacrifícios ninguém conseguia nada. Minha irmã – que era muito nervosa falou que ia parar de estudar, pois não agüentava mais aquela situação. Deixou de fazer trabalhos e provas e reprovou para que meu pai a deixasse parar de estudar. De tanto teimar ele concordou. Claro que depois de um bom sermão.
Ai as coisas ficaram complicadas mais para mim, (queria estudar) mas não dava para continuar sozinha naquela casa. Meus pais decidiram s arrumar outra casa e, graças a Deus consegui ficar em uma casa onde as pessoas me tratavam como parte da família. Lá fiquei até terminar a oitava série. Iniciei o Ensino Médio na mesma escola, mas a escola estava com carência de professores habilitados e meus pais juntamente com as tias (irmãs da minha mãe) decidiram que era melhor eu ir para a cidade de Dourados onde pudesse fazer um Ensino Médio melhor e ingressar na faculdade. Fui morar na casa de uma tia – em troca de casa e comida fazia todos os serviços domésticos para ela. Com ela aprendi a ser dona de casa.
Fui estudar no Oswaldo Cruz, pois tinha uma boa fama. (fui fazer magistério porque quase todas as minhas tias são professoras). Consegui acompanhar a turma sem nenhum problema. Cumpri com todas as exigências e minhas notas eram muito boas. A nota no Estágio Supervisionado foi 90. Fiquei muito feliz. Terminara o Ensino Médio. Todos os sacrifícios valeram à pena. Antes da formatura - inscrição no vestibular.
Primeira opção direito. Bomba. Fiquei pensando em esperar julho para tentar direito novamente, mas o tio Mazarim (hoje, professor de matemática aposentado) me convenceu. Disse que eu tinha jeito de professora e, poderia tentar fazer o vestibular de Letras e, depois se eu não gostasse do curso eu poderia fazer outra coisa, mas não era para parar nunca. Escutei –o. Fiz inscrição. Passei e iniciei o curso. Adorei a proposta e a turma. Três anos depois. Tornei-me a professora Eliane.
Depois de “formada” esse nome é assustador – eu passei pela faculdade, mas os conhecimentos teóricos pareciam muito distantes da prática. Fui começar a aprender quando fui para a prática. Ao chegar à Escola, ninguém para atuar no Magistério. Minha primeira experiência: Língua Portuguesa, Metodologia da Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e Literatura Infantil. Quatro disciplinas em uma única sala. UFA! Como eu aprendi com aquelas aulas e aquela turma. Confesso que fiquei com medo. Deu vontade de desistir. Mas a Márcia, a diretora da escola disse que ela me ajudaria a enfrentar todos os medos pedagógicos que surgissem. Ajudou-me a planejar, a fazer diários e a conseguir materiais de apoio/pesquisa tanto para mim como para os alunos. Hoje, às vezes, penso: será que ajudei ou atrapalhei aqueles alunos. Naquele momento me sentia realizada, pois pensava que estava fazendo um bom trabalho.
Passaram dois anos e abriu concurso público para professores. Inscrevi-me e consegui ser aprovada entre os três primeiros. Puxa que vitória!
Nesse período conheci meu marido – namoramos por dois anos e nos casamos em 1993. Fiz pós graduação em Metodologia do Ensino superior. Continuei trabalhando na mesma escola até 1996. Resolvemos nos mudar para o Mato Grosso, cidade Alta Floresta. Ao chegar aqui percebi que havia apenas cinco professores habilitados em Língua Portuguesa e, por isso logo estava trabalhando na Escola JVC com quarenta horas semanais. Fiquei atuando em 96 e 97. Nesse período a UNEMAT abriu teste seletivo e, eu fui tentar. As provas eram em Cáceres – consegui aprovação. Fui atuar como coordenadora e professora junto ao curso de Letras do Projeto de Licenciaturas Plenas Parceladas – onde permaneci até 2002.
Além de atuar como Professora das disciplinas de Estágio Supervisionado e Práticas de Ensino ainda fui monitora das seguintes disciplinas: Psicolingüística; teoria literária; alfabetização; modelos de análise literária; textos Fundamentais de ficção; Textos fundamentais de Ensaio e Línguas Indígenas.
Durante o período que fiquei na UNEMAT fiz o concurso público municipal (1999) e estadual (2000) e fui aprovada. Fiquei cedida pelas duas redes até terminar o projeto. Fiz outra pós-graduação: Língua e Literatura.
Depois voltei para as escolas de origem e, apesar de efetiva em Língua Portuguesa do ensino fundamental II trabalhei com Educação Infantil, Sala de superação (rede municipal). Já na rede estadual sempre atuei na minha área de formação ensino fundamental e médio. Nesses anos também atuei como professora do Curso de Ciências Biológicas – Campus de Alta Floresta. Disciplina de Produção de Textos e Leitura, Estrutura e Funcionamento do Ensino Médio e Filosofia das Ciências. No ICE – Instituto Cuiabano de Educação ministrando aulas para a pós-graduação – disciplina de Produção de Textos e Leitura. E para A FASIPE – graduação Administração em Agronegócios Pólo Alta Floresta - Disciplina Português Instrumental.
A Escola onde sou lotada é a Dom Bosco, nesta escola estou desde 2003 durante todo esse tempo sempre me envolvi com todas as práticas de leitura (projeto de leitura, seminários, etc), pois acredito que através de atividades centradas e objetivadas através da leitura nossos alunos poderão transformar suas condições de exclusão. Nunca escondi deixei de contar minha história educacional – penso ser exemplo de superação, pois passei por muitas dificuldades para chegar até aqui, mas sempre busquei fazer o melhor.

Análise da imagem do Gestar II _ Alta Floresta

Quando estávamos organizando a apresentação do Programa Gestar II para os gestores e professores do pólo de Alta Floresta – começamos a pensar em alguma imagem que pudesse remeter ao Gestar.
Após várias tentativas – elegemos aquela que se transformou no símbolo do Gestar em nossa região. Escolhemos a imagem de uma mão que segura uma pequena planta. Para ilustrar a importância do Gestar II enquanto programa de formação Continuada, pois é preciso pôr de fato a mão na terra para que essa planta continue a crescer e possa dar muitos frutos.
Segundo Bosi (1936) a mão arranca da terra a raiz e a erva, colhe da árvore o fruto, descasca-o, leva a boca. A mão apanha o objeto, remove-o, achega-o ao corpo, lança-o de si. A mão lavra a terra há pelo menos oito mil anos. Com as mãos desde que criou a agricultura, o homem semeia poda e colhe.
A mão suja de terra deve representa o nosso envolvimento com a proposta de fazer uma Educação pública de qualidade. Uma mão que está em seu labor, isto é, na prática. A terra da imagem é muito fértil e deve ser cuidada para que continue com esse “adubo” para que a pequena planta chamada Gestar II possa ser acolhida, regada e se transforme em uma frondosa árvore: a árvore do conhecimento.
Que a mão de cada cursista possa servir de lugar de gestação/ proteção para esse programa de formação continuada.



Quem sou eu.

Eliane Martins Marques Malacarne Professora graduada em Letras com Especialização em Lingua e Literatura. Atua na Rede pública de Ensino de Alta Floresta - MT na área de Línguagem. Atualmente desenvolve a função de professora formadora do Programa Gestar II trabalhando com 38 professores cursistas de Língua Portuguesa dos anos finais.







ARRUMAR


No período de 16 a 20 de fevereiro de 2009, realizou-se no Hotel Fazenda Mato Grosso - Cuiabá MT, a Primeira etapa de Formação de Formadores e Coordenadores Pedagógicos do Programa Gestão da Aprendizagem - Gestar II em Mato Grosso.Estávamos cheios de expectativas e dúvidas diante do desafio de trabalhar com formação continuada de professores de Língua Portuguesa e Matemática dos anos finais do Ensino Fundamental através de uma proposta pedagógica do Gestar II.
Porém, no decorrer da semana, conforme as atividades iam acontecendo, compreendemos que a proposta do Gestar II tinha como base os Parâmetros Curriculares Nacionais e que pretendia desenvolver, no contexto de formação continuada de professores, espaços para o estudo e reflexão sobre o papel do professor na perspectiva de uma prática transformadora da ação pedagógica (MEC, 1998).

As atividades desenvolvidas neste período de formação possibilitaram-nos trocar experiências e refletir sobre as várias concepções de ensino aprendizagem que influenciaram ou que influenciam nossa prática pedagógica, dando ênfase a concepção sócio – interacionista, na qual está pautada a proposta pedagógica de Língua Portuguesa do Gestar II.De acordo com está concepção, a linguagem é uma forma de ação, um lugar de interação humana, portanto o ensino da língua deve estar contextualizado dentro de um espaço histórico cultural específico para cada situação.Assim, trabalhamos algumas atividades e dinâmicas relacionadas aos conteúdos do programa de Língua Portuguesa do Gestar II, focando o desenvolvimento de habilidades de leitura, compreensão, interpretação e produção de diferentes textos, com forma de desenvolver as competências sócio – comunicativas de professores e alunos.Encerramos a etapa de formação assistindo “Narradores de Javé”. Um filme que proporcionou a todos momentos de descontração e reflexão sobre o papel da escrita na sociedade.

APRESENTAÇÃO....

Apresentação
Este portfólio apresenta parte das atividades e experiências realizadas com cursistas dos municípios de Alta Floresta e Paranaita com o programa GESTAR II (Programa da Gestão da Aprendizagem Escolar), na disciplina de Língua Portuguesa, ofertado pelo Governo Federal, com adesão do Governo Estadual, em parceria com os municípios.
O presente documento é composto de relatórios das diferentes atividades compostas nos TPs, atividades realizadas nas oficinas, atividades complementares, fotos das oficinas e projeto de intervenções pedagógicas realizadas pelos cursistas.
O referido documento possibilita ao formador e ao cursista um olhar reflexivo sobre a sua prática pedagógica, pois o Programa Gestar II possibilitou em nossa região a criação de uma nova escola. Escola que contempla a complexidade do mundo possibilitando o letramento de todos os envolvidos no processo ensino aprendizagem.

Propósito da disciplina – Língua Portuguesa

Falar sobre o propósito da disciplina de Língua Portuguesa nos leva a pensar o Programa GESTAR II em sua caracterização tendo em vista a sua amplitude e importância para a educação pública brasileira. Iniciarei, então, falando sobre um programa de formação continuada semipresencial orientado para a formação de professores de Português e de Matemática que objetiva a melhoria do processo de ensino aprendizagem.
O foco do programa é, portanto, a atualização dos saberes profissionais por meio de subsídios e de acompanhamento da ação do professor no próprio local de trabalho. Não pode ser considerado “novo” porque tem como sustentação teórica os Parâmetros Curriculares Nacionais que já estão a disposição dos profissionais da educação desde 1997. Mas pode ser considerado inovador porque assegura em um mesmo material pedagógico de formação continuada a teoria que fundamenta atividades que fazem parte do cotidiano de nossos alunos.
Além disso, essa formação continuada propicia uma ferramenta de profissionalização: espaços sistemáticos de reflexão conjunta e de investigação, no contexto da escola, acerca das questões enfrentadas pelo coletivo das escolas. E proporciona espaços para a troca de experiências , como forma de construção de conhecimento, saberes e competências dos professores. Ainda espera-se que provoque uma mobilização da comunidade escolar em torno de um projeto social e educativo da escola.
O programa Gestar II chega num momento em que os cursinhos de 40 horas (tão procurados anteriormente) já não suprem as necessidades latentes de nossas salas de aula – a necessidade de aliarmos estudos, reflexões e socialização de nossas práticas pedagógica com nossos pares, pois muito conhecimento teórico já foi proporcionado, porém a sistematização da prática pedagógica fundamentada e refletida teoricamente, sempre deixaram a desejar. Acredito que o Gestar II possa de fato fazer a diferença “lá na sala de aula” pois o mesmo considera a situação concreta dos professores participantes- eles devem estar em pleno exercício profissional.
Assim, procura garantir a qualidade do processo de ensino-aprendizagem através de ações sistêmicas e estratégias de estudo individual e de atividades presenciais, individuais ou coletivas, coordenadas por um professor formador.
O trabalho do Gestar II se baseia na concepção sócio-construtivista do processo de ensino- aprendizagem. Nesta visão, alunos e professor constroem juntos o conhecimento em sala de aula. O aluno é sujeito de seu aprendizado. Já o professor é um mediador que coloca o aluno em contato com o conhecimento construído historicamente e com ele trabalha os conteúdos daquele nível de ensino.
Através desse breve percurso percebemos que a proposta de formação continuada do Gestar II através de estudos, reflexões e práticas nos leva a criar uma nova escola, que contempla a complexidade do mundo contemporâneo, pois todos precisamos compreender (temas transversais) e articulá-los com a educação de nossos alunos. Diante disso é possível vislumbrar uma escola mais democrática que deve vislumbrar a autonomia e, ao mesmo tempo a emancipação de nossos alunos.
Mas o que podemos esperar em Língua Portuguesa? De acordo com os objetivos propostos espera-se oportunizar ao professor de Língua Portuguesa um trabalho que propicie (a ele – grifos meus) e aos alunos o desenvolvimento de habilidades de compreensão, interpretação e produção dos mais diferentes textos. Visando à inserção dos alunos na sociedade, como cidadãos conscientes, capazes não só de analisar as várias situações de convivência social como também de se expressar criticamente em relação a elas.
A linguagem é vista como um fenômeno cultural, isto é, é elemento constituinte, na realização de nossas experiências. Dessa forma toda a discussão se faz “no texto”. Texto entendido como processo de elaboração e reflexão sobre os diversos usos da linguagem nas diferentes situações sócio-comunicativas.
Entende-se , a linguagem como atividade que não se faz em palavras e frases isoladas, mas que se realiza em processos reais de comunicação, como discurso e texto. A competência discursiva, portanto, é adquirida pelo aluno na e pela atividade de linguagem, em atividades de leitura e de produção de textos inseridas em situações linguisticamente significativas, nas quais é considerada a dimensão discursivo-pragmática da linguagem. Do mesmo modo, os conhecimentos lingüísticos são adquiridos em processos de reflexão e operação sobre a linguagem, em práticas contextualizadas de leituras e produção de textos.
Diante disso espera-se que a escola forme indivíduos reflexivos e críticos que possam atuar nas diversas situações discursivas, expressando-se oralmente e por escrito em diferentes padrões de linguagem, especialmente o culto, adquirindo também a competência leitora para obter informações, interpretar dados e fatos, recriar observar, comparar e compreender textos.
Em relação aos cursistas de Língua Portuguesa espera-se que possam apresentar-se como locutores e interlocutores, com amplo domínio da linguagem; refletir sobre a linguagem e a língua portuguesa; reconhecer os usos sociais da língua em todas as modalidades, além de posicionar-se criticamente com relação aos diversos tipos de textos; dentre eles os artísticos e os literários; observar e registrar os fatos da gramática interna, descritiva e normativa; saber selecionar os conteúdos e as matérias em função das características de seus alunos; pesquisar e avaliar estratégias e métodos mais adequados e inovadores para a sua atuação.
Como profissional da educação deve ser capaz de atuar de forma consciente, produtiva e adequada à sua comunidade, valorizando as práticas democráticas – através do engajamento em projetos de aperfeiçoamento (formação profissional); atuar coletivamente, partilhando experiências e projetos. Além de continuar a refletir sobre a sua prática docente e sobre a atuação da escola e suas relações com a sociedade.
O Gestar II exige mudanças de comportamento. Ler, refletir e sistematizar essas ações é um bom começo...






Propósitos Pessoais
Falar dos meus propósitos me remete a um passado bem próximo- fevereiro de 2009, mais precisamente a semana pedagógica. Durante aqueles dias eu estava muito desanimada com a nossa atuação pedagógica. Comecei a refletir sobre minha prática pedagógica – organizando algumas atividades/alternativas para fazer de minhas aulas espaços mais significativos.
Numa tarde fui convidada pela coordenadora do Cefapro de Alta Floresta MT professora Maria Luiza para participar da equipe de formadores do Programa Gestar II de Língua Portuguesa. Pensei que talvez essa formação pudesse contribuir para sanar minhas angustias e, ao mesmo tempo eu viesse a contribuir com outros profissionais da área.
Após a apresentação da proposta do Gestar II e de manusear os TPs fiquei muito satisfeita ao perceber que a proposta e os materiais tinham sido elaborados por pessoas que tinham as mesmas angustias que eu – o que fazer para melhorar os problemas de leitura, interpretação e produção de textos dos alunos? Que material usar? Será que minha prática pedagógica está fundamentada em alguma teoria?
Respirei aliviada ao perceber que nessa formação poderíamos encontrar nossos pares, trocar experiências, sistematizar práticas pedagógicas, refletir, aplicar e avaliar coletivamente nossas ações.
Agora estou formadora no Gestar II e, estou bastante satisfeita com as leituras, os estudos em grupo, a preparação, organização e realização das oficinas. O Gestar II veio dar uma injeção de ânimo e contribuir para que eu adquira uma nova postura pedagógica.
Que eu possa continuara a ser locutora e interlocutora, com amplo domínio da linguagem, refletindo sobre a linguagem e a língua portuguesa; reconhecendo os usos sociais da língua em todas as modalidades, além de continuar a posicionar-me criticamente com relação aos diversos tipos de textos. Que eu deixe de usar em sala de aula apenas a gramática normativa, mas que possa observar e registrar os fatos da gramática interna, descritiva e normativa. Que eu saiba selecionar os conteúdos e as matérias em função das características de meus alunos. Ter a pesquisa como ferramenta pedagógica e, que eu consiga aprender outras estratégias e métodos mais adequados e inovadores para a minha atuação.
Quero continuar a participar de forma consciente, produtiva e adequada junto à minha comunidade, valorizando as práticas democráticas. Gostaria muito de realizar o Mestrado em minha área, pois já tentei na área da educação, mas não foi reconhecido. Perdi tempo, mas ganhei conhecimento com os estudos e a elaboração da dissertação.
Quero que a equipe que preparou o Gestar II pense também em um Gestar para o Ensino Médio, pois as carências são as mesmas do ensino fundamental. Quero continuar a partilhar experiências e projetos. Além de trocar experiências, refletir e sistematizar minha prática docente.
Memorial Reflexivo
Iniciei meus estudos em uma escola multisseriada, pois morávamos em um sítio afastado da cidade e a única escola ficava há uns quatro quilômetros de distância de nossa casa. Somos três irmãos Claudevir, Eliene e eu a caçula Eliane. Meus irmãos, já estudavam quando eu comecei a admirar as letras. Lembro-me que meu pai e minha mãe sempre diziam “estudem meninos, pois o estudo é a herança que podemos deixar para vocês”. Meus pais sempre foram muito preocupados com nossa formação acadêmica – e, mesmo não possuindo muito dinheiro sempre íamos para a escola uniformizados, (às vezes era minha própria mãe quem os costurava) compravam nossos livros e todos os materiais escolares. Nunca deixamos de fazer nenhum trabalho ou atividades por falta de livros ou outras fontes de pesquisas.
Antes mesmo de começar a freqüentar a escola eu já conhecia as letras do alfabeto e alguns números, porque eu era muito invejosa e, quando via meu irmão lendo, escrevendo e desenhando. Eu ficava perguntando... Ele era muito inteligente, desenhava cada coisa. E, por isso era sempre era elogiado pelos professores e pela diretora da escola.
Para ter uma idéia ele fechava as notas todas no terceiro bimestre. Quando eu ouvia os elogios sobre ele eu pensava “vou ser igual a ele” para também ficar recebendo os parabéns. Já a minha irmã não era muito ligada aos estudos, ela não gostava das professoras e dos estudos. Naquele tempo eu ficava xeretando os cadernos e os livros deles porque eu queria aprender as letras.
Fui para a escola e, como eu já era “dos mais fortes” já fui ficando no meio do quadro. Observação: o quadro era dividido em quatro partes. Então eu fazia as minhas atividades bem depressa, depois ia realizando as atividades dos demais alunos também. Coitada da professora Ilza. Ela se via doida para me conter, mas era difícil. Minhas tarefas eram sempre as mais bem feitas – pensa em uma pessoa metida! Ganhava até presente dessa professora.
Lembro que meu pai sempre acompanhava nossa educação bem de perto. Por muitos anos ele foi o Presidente da APM – Associação de Pais e Mestres. Sabia de tudo o que acontecia na escola. Participava de todas as decisões e das festas escolares. Meu pai tem apenas o quarto ano primário, mas seus conhecimentos vão muito além. Já minha mãe estudou pouco, teve que deixar os estudos, pois trabalhava na roça e quando chegava do serviço tinha que fazer as tarefas da casa. Ela não nos ensinou através das letras, mas através dos gestos e ações. Na sua simplicidade nos ensinou a ser pessoas dignas. Lembro-me que à noite, enquanto ela catava feijão para cozinhar no dia seguinte – lançava de vez em quando seu olhar de carinho e compreensão sobre nós que estávamos ali, na maior tensão mostrando o que tínhamos estudado para o meu pai. Ele pedia para ver os conteúdos. Depois ele “tomava o ponto”, isto é, ele fazia perguntas sobre aquele texto para que respondêssemos. Assim, ele nos avaliava. Como eu aprendi com meu pai. Hoje digo que ele foi/é um grande Pai- professor.
Estudei naquela escolinha até a quarta série. Depois tive que ir estudar na cidade. Como foi difícil a adaptação. Amizades novas, professores que entravam e saiam a cada 50 minutos. Meu Deus! Que saudades da professora Ilza. Passaram uns dias e, as coisas foram se ajeitando. Como era longe tínhamos que levantar às quatro da manhã para conseguirmos chegar à escola antes das sete. Íamos de bicicleta. No início eu tinha que ir na garupa da bicicleta do meu irmão, mas depois ganhei uma monareta. Fiquei tão feliz que cai apenas um tombo.
Nesse período meu irmão terminou a oitava série e tinha que mudar de cidade para continuar os estudos. Ficou apenas eu e minha irmã. Meu pai, então ficou com medo de nos deixar fazer aquele percurso sozinhas e, decidiu arrumar uma casa na cidade para que nós pudéssemos ficar. Ele falou com uma senhora, amiga dele (uma alemã que era o bicho- exigente, tipo Hitler). Nessa casa, nós tínhamos que fazer todos os serviços domésticos. E, por mais bem feito que fazíamos ela sempre reclamava. Nós íamos aos finais de semana para casa e, falávamos para nossa mãe tudo o que estava acontecendo. Nossa mãe dizia que sem sacrifícios ninguém conseguia nada. Minha irmã – que era muito nervosa falou que ia parar de estudar, pois não agüentava mais aquela situação. Deixou de fazer trabalhos e provas e reprovou para que meu pai a deixasse parar de estudar. De tanto teimar ele concordou. Claro que depois de um bom sermão.
Ai as coisas ficaram complicadas mais para mim, (queria estudar) mas não dava para continuar sozinha naquela casa. Meus pais decidiram s arrumar outra casa e, graças a Deus consegui ficar em uma casa onde as pessoas me tratavam como parte da família. Lá fiquei até terminar a oitava série. Iniciei o Ensino Médio na mesma escola, mas a escola estava com carência de professores habilitados e meus pais juntamente com as tias (irmãs da minha mãe) decidiram que era melhor eu ir para a cidade de Dourados onde pudesse fazer um Ensino Médio melhor e ingressar na faculdade. Fui morar na casa de uma tia – em troca de casa e comida fazia todos os serviços domésticos para ela. Com ela aprendi a ser dona de casa.
Fui estudar no Oswaldo Cruz, pois tinha uma boa fama. (fui fazer magistério porque quase todas as minhas tias são professoras). Consegui acompanhar a turma sem nenhum problema. Cumpri com todas as exigências e minhas notas eram muito boas. A nota no Estágio Supervisionado foi 90. Fiquei muito feliz. Terminara o Ensino Médio. Todos os sacrifícios valeram à pena. Antes da formatura - inscrição no vestibular.
Primeira opção direito. Bomba. Fiquei pensando em esperar julho para tentar direito novamente, mas o tio Mazarim (hoje, professor de matemática aposentado) me convenceu. Disse que eu tinha jeito de professora e, poderia tentar fazer o vestibular de Letras e, depois se eu não gostasse do curso eu poderia fazer outra coisa, mas não era para parar nunca. Escutei –o. Fiz inscrição. Passei e iniciei o curso. Adorei a proposta e a turma. Três anos depois. Tornei-me a professora Eliane.
Depois de “formada” esse nome é assustador – eu passei pela faculdade, mas os conhecimentos teóricos pareciam muito distantes da prática. Fui começar a aprender quando fui para a prática. Ao chegar à Escola, ninguém para atuar no Magistério. Minha primeira experiência: Língua Portuguesa, Metodologia da Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e Literatura Infantil. Quatro disciplinas em uma única sala. UFA! Como eu aprendi com aquelas aulas e aquela turma. Confesso que fiquei com medo. Deu vontade de desistir. Mas a Márcia, a diretora da escola disse que ela me ajudaria a enfrentar todos os medos pedagógicos que surgissem. Ajudou-me a planejar, a fazer diários e a conseguir materiais de apoio/pesquisa tanto para mim como para os alunos. Hoje, às vezes, penso: será que ajudei ou atrapalhei aqueles alunos. Naquele momento me sentia realizada, pois pensava que estava fazendo um bom trabalho.
Passaram dois anos e abriu concurso público para professores. Inscrevi-me e consegui ser aprovada entre os três primeiros. Puxa que vitória!
Nesse período conheci meu marido – namoramos por dois anos e nos casamos em 1993. Fiz pós graduação em Metodologia do Ensino superior. Continuei trabalhando na mesma escola até 1996. Resolvemos nos mudar para o Mato Grosso, cidade Alta Floresta. Ao chegar aqui percebi que havia apenas cinco professores habilitados em Língua Portuguesa e, por isso logo estava trabalhando na Escola JVC com quarenta horas semanais. Fiquei atuando em 96 e 97. Nesse período a UNEMAT abriu teste seletivo e, eu fui tentar. As provas eram em Cáceres – consegui aprovação. Fui atuar como coordenadora e professora junto ao curso de Letras do Projeto de Licenciaturas Plenas Parceladas – onde permaneci até 2002.
Além de atuar como Professora das disciplinas de Estágio Supervisionado e Práticas de Ensino ainda fui monitora das seguintes disciplinas: Psicolingüística; teoria literária; alfabetização; modelos de análise literária; textos Fundamentais de ficção; Textos fundamentais de Ensaio e Línguas Indígenas.
Durante o período que fiquei na UNEMAT fiz o concurso público municipal (1999) e estadual (2000) e fui aprovada. Fiquei cedida pelas duas redes até terminar o projeto. Fiz outra pós-graduação: Língua e Literatura.
Depois voltei para as escolas de origem e, apesar de efetiva em Língua Portuguesa do ensino fundamental II trabalhei com Educação Infantil, Sala de superação (rede municipal). Já na rede estadual sempre atuei na minha área de formação ensino fundamental e médio. Nesses anos também atuei como professora do Curso de Ciências Biológicas – Campus de Alta Floresta. Disciplina de Produção de Textos e Leitura, Estrutura e Funcionamento do Ensino Médio e Filosofia das Ciências. No ICE – Instituto Cuiabano de Educação ministrando aulas para a pós-graduação – disciplina de Produção de Textos e Leitura. E para A FASIPE – graduação Administração em Agronegócios Pólo Alta Floresta - Disciplina Português Instrumental.
A Escola onde sou lotada é a Dom Bosco, nesta escola estou desde 2003 durante todo esse tempo sempre me envolvi com todas as práticas de leitura (projeto de leitura, seminários, etc), pois acredito que através de atividades centradas e objetivadas através da leitura nossos alunos poderão transformar suas condições de exclusão. Nunca escondi deixei de contar minha história educacional – penso ser exemplo de superação, pois passei por muitas dificuldades para chegar até aqui, mas sempre busquei fazer o melhor.
A Formação em Cuiabá
No período de 16 a 20 de fevereiro de 2009, realizou-se no Hotel Fazenda Mato Grosso - Cuiabá MT, a Primeira etapa de Formação de Formadores e Coordenadores Pedagógicos do Programa Gestão da Aprendizagem - Gestar II em Mato Grosso.Estávamos cheios de expectativas e dúvidas diante do desafio de trabalhar com formação continuada de professores de Língua Portuguesa e Matemática dos anos finais do Ensino Fundamental através de uma proposta pedagógica do Gestar II.
Porém, no decorrer da semana, conforme as atividades iam acontecendo, compreendemos que a proposta do Gestar II tinha como base os Parâmetros Curriculares Nacionais e que pretendia desenvolver, no contexto de formação continuada de professores, espaços para o estudo e reflexão sobre o papel do professor na perspectiva de uma prática transformadora da ação pedagógica (MEC, 1998).

As atividades desenvolvidas neste período de formação possibilitaram-nos trocar experiências e refletir sobre as várias concepções de ensino aprendizagem que influenciaram ou que influenciam nossa prática pedagógica, dando ênfase a concepção sócio – interacionista, na qual está pautada a proposta pedagógica de Língua Portuguesa do Gestar II.
De acordo com está concepção, a linguagem é uma forma de ação, um lugar de interação humana, portanto o ensino da língua deve estar contextualizado dentro de um espaço histórico cultural específico para cada situação.
Assim, trabalhamos algumas atividades e dinâmicas relacionadas aos conteúdos do programa de Língua Portuguesa do Gestar II, focando o desenvolvimento de habilidades de leitura, compreensão, interpretação e produção de diferentes textos, com forma de desenvolver as competências sociocomunicativas de professores e alunos.Encerramos a etapa de formação assistindo “Narradores de Javé”. Um filme que proporcionou a todos momentos de descontração e reflexão sobre o papel da escrita na sociedade.


Análise da imagem do Gestar II _ Alta Floresta – inserir imagem

Quando estávamos organizando a apresentação do Programa Gestar II para os gestores e professores do pólo de Alta Floresta – começamos a pensar em alguma imagem que pudesse remeter ao Gestar.
Após várias tentativas – elegemos aquela que se transformou no símbolo do Gestar em nossa região. Escolhemos a imagem de uma mão que segura uma pequena planta. Para ilustrar a importância do Gestar II enquanto programa de formação Continuada, pois é preciso pôr de fato a mão na terra para que essa planta continue a crescer e possa dar muitos frutos.
Segundo Bosi (1936) a mão arranca da terra a raiz e a erva, colhe da árvore o fruto, descasca-o, leva a boca. A mão apanha o objeto, remove-o, achega-o ao corpo, lança-o de si. A mão lavra a terra há pelo menos oito mil anos. Com as mãos desde que criou a agricultura, o homem semeia poda e colhe.
A mão suja de terra deve representa o nosso envolvimento com a proposta de fazer uma Educação pública de qualidade. Uma mão que está em seu labor, isto é, na prática. A terra da imagem é muito fértil e deve ser cuidada para que continue com esse “adubo” para que a pequena planta chamada Gestar II possa ser acolhida, regada e se transforme em uma frondosa árvore: a árvore do conhecimento.
Que a mão de cada cursista possa servir de lugar de gestação/ proteção para esse programa de formação continuada.

Avaliação do programa
No decorrer dos estudos e da realização das oficinas vimos que o material do programa GESTAR II trouxe novas estratégias de ensino-aprendizagem tanto para o docente como para o discente.
Após cada estudo dos TPs, realizávamos uma oficina, momento muito rico principalmente, na hora da socialização das Avançando na prática, através da transposição didática realizada na sala de aula pelos cursistas, onde retomávamos conceitos teóricos importantes abordados no Caderno de teoria e prática, de forma a fazer avaliação da aplicabilidade das atividades propostas pelos TPS.
Nós, professores formadores, procurávamos, na medida do possível, acompanhar e, se necessário, retomar conceitos teóricos relevantes ao trabalho proposto, realizando avaliação junto ao cursista no seu espaço de trabalho, das atividades sugeridas pelo programa, avaliado de forma positiva pelos cursistas, uma vez que pudemos vivenciar as dificuldades e facilidades naturais de cada grupo.
Oportunizávamos aos cursistas momentos individuais para esclarecimento de dúvidas e sugestões de melhorias na aplicação das atividades, criando possibilidade de intervenção no momento das transposições didáticas, orientando e dirimindo equívocos teóricos que, por ventura, surgiam.
O contato dos formadores com os cursistas criou laços de confiança importantes para o bom desenvolvimento de qualquer trabalho coletivo.
Ao final de cada oficina oportunizávamos aos cursistas momentos de avaliação em que eram apontados os pontos positivos e negativos da oficina.
Um dos pontos altos do programa GESTAR II é enfocar ao mesmo tempo a prática de sala de aula e a teoria que a embasa.
O momento da troca de experiências entre os cursistas foi extremamente produtivo, na medida em que novas idéias foram instigadas, proporcionando uma avaliação do colega e, consequentemente da própria prática visto que os assuntos abordados são de grande importância para a melhoria do ensino de Língua Portuguesa que precisa ser constantemente revisto pelos professores da disciplina.
Dessa forma, vejo que as temáticas dos TPs e AAAs, bem como os estudos semipresenciais, as oficinas, os avançando na prática, entre outros, contribuíram muito para um crescimento significativo de formador, cursista e, principalmente, alunos para o qual o programa foi pensado.

Considerações finais

GESTAR II, um programa do governo federal, pensado para elevar a competência e habilidade dos professores de forma que possam compreender os alunos na sociedade atual e, para isso, propiciou ao professor a interação com seus pares, tornando a troca de experiência, momentos ímpares de aprendizagem.
Nós professores formadores realizamos as oficinas, procurando sempre levar algo a mais aos professores cursistas para que pudessem ver novas possibilidades de desenvolver suas atividades com competência em sala de aula, competência essa que está sendo desenvolvida com responsabilidade.
Acredito que o programa GESTAR ,além do que já foi dito, trouxe também aos profissionais de Língua Portuguesa, segurança e realização pessoal.

Leitura e escrita X contexto das mídias: Algumas mudanças possibilitadas a partir das ações do Gestar II.

MAÇANEIRO, Edileuza da Cruz; MALACARNE, Eliane M. Marques; BARBOSA, Elidia; ROSSI, Jandira de Souza. [1]SANTOS, Maurício.
[1] Professores formadores do Programa Gestar II – MEC- Ministério da Educação- UNB- Universidade de Brasília SEDUC – Secretaria de Estado de Educação- CEFAPRO – Centro de Formação de Professores e Secretarias Municipal de Educação de Alta Floresta e Carlinda – Mato Grosso – Brasil.

[1] Professores formadores do Programa Gestar II – MEC- Ministério da Educação- UNB- Universidade de Brasília SEDUC – Secretaria de Estado de Educação- CEFAPRO – Centro de Formação de Professores e Secretarias Municipal de Educação de Alta Floresta e Carlinda – Mato Grosso – Brasil.
Este artigo pretende apresentar os primeiros resultados obtido em relação aos trabalhos realizados com a leitura e a escrita a partir do Programa GESTAR II em Língua Portuguesa no Pólo do CEFAPRO de Alta Floresta MT. Além de caracterizar o Programa e seu funcionamento situaremos as ações pedagógicas relacionando com o movimento das práticas reflexivas. O Gestar é uma das Ações Educacionais Articuladas do (PAR) entre os governos Federal, Estadual e Municipal, sendo este um programa de formação continuada semipresencial, orientado para a formação de professores de Língua Portuguesa objetivando a melhoria do processo de ensino e aprendizagem.
O conteúdo teórico e prático do programa é todo impresso e distribuído ao professor cursista e às equipes de formadores. O foco do programa é a atualização dos saberes profissionais por meio de subsídios teóricos e do acompanhamento das ações do professor no próprio local de trabalho. A finalidade é elevar a competência dos professores e de seus alunos e, conseqüentemente, melhorar a capacidade de compreensão e intervenção sobre a realidade sócio-cultural, através da prática e da reflexão sobre as diferentes situações sócio-comunicativas, os gêneros e as técnicas (mídias), além de produzir crítica e desenvolver criatividade e autoria.
Através das atividades de leitura, escrita e reflexão na e pela linguagem, os usuários professores e alunos têm desenvolvido habilidades de compreensão, interpretação e produção dos mais diferentes textos. Essas ações visam não só analisar as várias situações de convivência social como também de fazer uso das diferentes tecnologias a fim de se expressar criticamente em relação a elas. Há estudos individuais e em grupos e os encontros presenciais nas oficinas. As oficinas ocorrem de três em três semanas com duração de 4 horas. Nas oficinas há a retomada do processo de estudo das questões teóricas das unidades estudadas, a verificação das lições de casa e a socialização de uma prática realizada em sala de aula. Esse momento é considerado o ponto mais alto da formação continuada, pois os estudos e as reflexões estão de fato chegando aos alunos das escolas públicas. Entre uma oficina e outra há o assessoramento / acompanhamento pedagógico nas escolas/sala de aula. A fim de facilitar esse acompanhamento, elaboramos um diagnóstico que foi entregue e respondido pelos professores cursistas para obtermos uma clara representação do desenvolvimento do professor desde o início até o término do programa. O objetivo maior do Gestar II de Língua Portuguesa é possibilitar ao professor de Língua Portuguesa (de 6º ao 9º ano) um trabalho que propicie aos alunos o desenvolvimento de habilidades de compreensão, interpretação e produção dos mais diferentes textos. Esse processo de escolarização visa à inserção dos alunos na sociedade, como cidadãos conscientes, capazes não só de analisar as várias situações de convivência social como também de se expressar criticamente em relação a elas. Por isso toda discussão sobre a língua portuguesa não se faz por intermédio do texto, mas no texto.
A proposta pedagógica do Gestar II organiza-se para o desenvolvimento do letramento do professor (e consequentemente do aluno), a partir da discussão e das análises das situações sócio-comunicativas, tendo o texto como eixo central da solução de problemas. Os cadernos de teoria e prática buscam evidenciar que, no trabalho com a linguagem, se privilegia o uso da língua como atividade social e comunicativa em que os interlocutores atuam num espaço social e histórico. Essa postura aponta, sobretudo, para uma perspectiva em que o texto é visto como a concretização das situações da interação e um produto de condições sócio-históricas, em que a significação é o ponto central. A concepção de linguagem no Gestar II é vista como processo de interação. O desenvolvimento da competência comunicativa do aluno, o qual se evidencia na oralidade, na leitura e na produção de textos, é a garantia de seu melhor desempenho com relação ao desenvolvimento dos demais conteúdos curriculares, como também de seu próprio desenvolvimento integral como pessoa. A formação de leitores críticos exige que convivamos (professores e alunos) e tenhamos acesso às diferentes linguagens que circulam na sociedade.
O aprendizado e o desenvolvimento da leitura e da escrita ocorrem parte no cotidiano e parte no meio das atividades sistemáticas na escola, com a utilização de reflexões sobre as práticas de nossa cultura e de outras culturas. Trabalhar a leitura e a escrita de forma eficiente depende do desenvolvimento de atividades que levem os usuários a praticar e refletir sobre as diferentes situações sócio-comunicativas, os gêneros e as técnicas, dependendo dos objetivos e temas propostos.
Cabe à escola ampliar a “leitura de mundo” do aluno ensinando-o a observar seu cotidiano, dominar técnicas (mídias), produzir crítica e desenvolver sua criatividade e sua autoria. A escola deve acompanhar essas transformações. O desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita, e, portanto, das possibilidades de organizar e gerar conhecimentos e comunicações por meio dessas ferramentas depende do acesso que se oferece às pessoas a ambientes da cultura letrada. A compreensão da leitura como produção de significado implica determinadas posições e procedimentos, ler e escrever são experiências conquistadas pelo trabalho que pode, sim, ser compensador e tornar-se prazer.
A linguagem como atividade não se faz em palavras e frases isoladas, mas se realiza em processos reais de comunicação, como discurso e texto. A competência discursiva, portanto, é adquirida pelo aluno na e pela atividade de linguagem, em atividades de leitura e de produção de textos inseridas em situações linguisticamente significativas, nas quais é considerada a dimensão discursivo-pragmática da linguagem.
Na perspectiva da formação continuada, o Gestar II prima pela busca de um caminho de mão dupla entre teoria e prática e pelo enfoque da linguagem como fenômeno cultural, no qual a Língua é elemento constituinte, mas não único e isolado, na organização de nossas experiências introduzindo os professores na apreciação da cultura letrada (local, regional, nacional e internacional) ao mesmo tempo em que estabelece o diálogo desta com as demais linguagens e manifestações culturais.
A avaliação do professor possui caráter dinâmico, ou seja, é um processo formativo, com foco na perspectiva qualitativa, permanente e contínua da avaliação.
O professor é avaliado nas sessões presencias coletivas, pelos relatórios dos “Avançando na Prática” (transposição didática) pelo desempenho em sala de aula, pelo seu portfólio e a elaboração e implementação de um projeto de intervenção pedagógica.. São vários os materiais que vem sendo utilizados: os já disponibilizados pelo PNBE, (Plano Nacional da Biblioteca na Escola), TV Escola, Programas Educativos – Linux Educacional e também as mídias de comunicação (Orkut, MSN, Chats, Blogs...) Aproveitou-se uma oficina para encaminhar um questionário referente ao Gestar II. Foram entrevistados 20 cursistas. As questões realizadas junto aos cursistas buscaram verificar a efetivação da formação continuada do Gestar II na prática pedagógica dos mesmos.

A importância do Programa de formação Continuada do Gestar II em Língua Portuguesa
O foco do programa é a atualização dos saberes profissionais por meio de subsídios teóricos e do acompanhamento da ação do professor no próprio local de trabalho, tendo como base os Parâmetros Curriculares Nacionais. Conforme relatos apresentados:
Veio para fortalecer nosso trabalho na língua portuguesa em sala de aula bem como atender a necessidade pessoal em diversos segmentos dentro da linguagem. O material oferecido durante o curso serviu e servirá como apoio para nosso plano de aula referente à leitura, escrita. Conteúdos indispensáveis na língua portuguesa.

A formação certamente contribuiu muito com meu trabalho pedagógico, tais como as teorias abordadas, as reflexões e debates durante a formação, as tipologias em se trabalhar em sala de aula.

Veio para proporcionar aos professores troca de experiências, reflexão e ampliar os recursos didáticos de cada profissional. O material é rico e bem elaborado.

Uma Formação Continuada “coerente” que veio ao encontro de nossas ansiedades, desafiando a nossa transposição didática. Dessa forma nos fez refletir, oferecendo-nos possibilidades em darmos uma nova roupagem ao planejamento das nossas ações pedagógicas valorizando tipos e gêneros textuais.

Direcionou-nos, sobretudo, para uma perspectiva em que o texto é visto como a concretização das situações de interação e um produto de condições sócio-históricas. O Gestar não só privilegia a formação do professor e o desenvolvimento das suas ações, mas também valoriza o educador como aquele que, ao mesmo tempo em que ensina, está em constante processo de aprendizagem.

Por conta de uma situação educacional um pouco confusa construí minha vida escolar bastante falha diante das propostas que vemos hoje na educação. O Gestar II veio clarear minhas ideias e complementar conhecimentos, visto que traz um material didático bastante acessível e uma proposta de trabalho que mostra resultados.

Um novo olhar para os tipos e gêneros textuais, leituras, produções e outros.
A Formação em Língua Portuguesa
O trabalho em Língua Portuguesa é visto como um processo de interação, seja com os professores, seja com os colegas (idéia básica do desenvolvimento proximal), seja com documentos ou outras manifestações humanas. O texto é visto como a concretização das situações de interação e um produto de condições sócio-históricas, em que a significação é o ponto central. Há ainda um forte apelo ao letramento, ou seja, é um processo contínuo de crescimento, envolvendo todos em um projeto educacional. Dessa forma, busca-se valorizar o professor como aquele que, ao mesmo tempo em que ensina, está em constante processo de aprendizagem. Diante dessa perspectiva os cursistas disseram que:

Esta formação me abriu muitos caminhos. Aprendi a trabalhar de maneira diferenciada a leitura e a produção de textos.

Abriu um amplo leque para o meu conhecimento sobre o assunto

Tem me ajudado bastante quanto ao domínio da sala de aula, pois se trabalha o conteúdo de forma prazerosa.

A importância dos Estudos individuais e grupais
O Gestar II se baseia na concepção sócio-construtivista do processo de ensino- aprendizagem. Nesta visão o conhecimento se dá por meio de relações interativas. Dessa forma, durante a formação, os cursistas estudaram e planejaram os conteúdos (individualmente e em grupos de estudos) antes de apresentá-los a seus alunos. Prepararam as suas aulas selecionando técnicas e materiais adequados, além de trocar informações e realizar planejamentos coletivos com outros cursistas. Conforme podemos verificar:

Os estudos individuais e em grupos foram ótimos, as trocas de experiências, as atividades, ou seja, as diversidades de trabalhos desenvolvidos na sala, tudo serviu de fonte enriquecedora e de conhecimentos.

O fato de termos um tempo para realizarmos leituras individuais nos proporciona autoconhecimento, pois é um momento de reflexão sobre nossas práticas anteriores, os estudos em grupos nos permitem discussão e consequentemente acréscimo e autoconfiança.

A importância dos encontros presenciais/oficinas
Os encontros presenciais envolvem socialização das ações pedagógicas, leituras, discussões e aprofundamento de conceitos abordados nos Tps e dinâmicas que motivam o professor a relacionar os aspectos teóricos discutidos à sua prática cotidiana em sala de aula e a compartilhar reflexões e estratégias com os seus colegas de grupo. Observe os depoimentos sobre esses encontros:
É um momento de aprendizagem, trocas de experiências, relatos das atividades, a socialização. Aprendemos na coletividade. A fundamentação teórica, os textos de embasamento para compreender o conceito são parte do conjunto.

As oficinas são muito produtivas porque vem fazer com que reflitamos sobre as práticas de sala de aula e os avançando na pratica, pois são desenvolvidos antes das oficinas e então podemos analisar o que deu certo e errado e os porquês.

A necessidade de continuidade de formações nesses moldes
A formação continuada do Gestar II vem proporcionando aos professores cursistas espaços de reflexão conjunta e de investigação, no contexto da escola, acerca das questões enfrentadas pelos mesmos. Conta também com um espaço para a socialização das experiências, como forma de construção de conhecimentos, saberes e competências dos professores. Provoca discussão e reflexão sobre problemas do ensino, articulando a proposta pedagógica e curricular e o plano de ensino. Conforme relatado nos depoimentos abaixo:
É de grande importância e acredito que deve continuar nos próximos anos, pois está contribuindo bastante nas produções textuais e interpretação para meu conhecimento em sala de aula. São atividades satisfatórias que despertam o interesse dos alunos.

Vejo a necessidade de continuidade de estudos nesses moldes, uma vez que já clareou bastante nossos trabalhos, nossas praticas em sala de aula e pessoalmente também.

É importante discutirmos sobre o que está acontecendo na educação e com a educação, principalmente na língua portuguesa.

A Prática Pedagógica pautada em estudos, reflexões e troca de experiências (tríade ação-reflexão-ação).
Apesar de estarem em exercício e, a maioria ser habilitado/e ou especialista em Língua Portuguesa e Literatura, terem consciência de que os saberes da experiência são gerados na atuação profissional e que essa experiência é vital para o exercício de sua atuação pedagógica realizaram uma reflexão comparativa entre suas práticas antes e durante a formação do Gestar II. Conforme podemos verificar abaixo:

Antes a preocupação era com a gramática e hoje a educação se voltou mais para a variedade de ensino em relação ao estudo com textos.

Passei a enxergar meu trabalho como uma pesquisa diária, onde devo refletir e melhorar para obter o melhor de cada aula.

Não gostava muito de escrever, porque pensava que sempre estava fazendo errado, mas depois de trabalhar nas produções de textos e ouvir depoimentos dos outros professores, aprendi a gostar mais de escrever e espero que daqui para frente consigo mudar alguma atitudes.

Consegui visualizar melhor a problemática da leitura no terceiro ciclo da terceira fase – 8ª C onde uma grande parte não tinha o hábito de ler. Foi um longo caminho percorrido para decidir realmente o que e como fazer. O material do Gestar foi muito útil neste aspecto. Rever novamente o que ler? Como ler? E para que ler? Hoje posso afirmar que deu certo. A leitura nesta turma fluiu, ultrapassou o esperado e os alunos me surpreenderam

Comparando os trabalhos e os conhecimentos antes e com o Gestar, no que se refere a leituras e produção de texto - eu era muito gramatiqueira e pouco trabalhava com textos.

Podemos afirmar que essa formação favoreceu o delineamento de uma perspectiva de compreensão e de investigação que destaca o estreito vínculo entre as ações e a reflexão do professores. Para identificar essa concepção, vários termos têm sido utilizados: prática reflexiva, professor reflexivo, (ZEICHENER, 1992, 1993), reflexão na ação (SCHÖN, 1992, 1994), professor como prático autônomo (PÉREZ GÓMES, 1992, 1996), entre outros. Dedicando-se ao tema, os autores indicados têm apontado a prática como local e oportunidade de aprendizagem do professor sobre o seu próprio trabalho.
Sobre a transposição didática a partir dessa formação
Um dos momentos fortes dessa formação se deu nos chamados “Avançando na Prática”, ou seja, o momento de relatar sobre o que fazem e como fazem. Assim os cursistas descrevem e justificam seus avanços em relação as suas ações na escola e na sala de aula. Segundo os depoimentos abaixo:
A transposição didática contribuiu para que as atividades oferecidas aos alunos tornassem as aulas mais produtivas

Minha prática foi enriquecida, sobretudo quanto aos gêneros textuais e a forma de trabalhar com eles na prática.

O gestar II me proporcionou uma nova transposição didática e reflexão de como agia e o que mudou. Com ele pude trabalhar com meus alunos os conteúdos propostos, com novas metodologias e assim prendendo a atenção dos mesmos.

Percebe-se que o professor é capaz de gerar conhecimento pedagógico no contexto de seu trabalho de sala de aula, se inserido em processos de formação que lhe permitam desenvolver instrumentos intelectuais, responsáveis por facilitar a reflexão sobre a prática docente, a interpretação e a compreensão dos processos de ensino e de aprendizagem.

Participação dos alunos nas atividades propostas.

Em relação ao trabalho junto aos alunos verificou-se que a forma como os cursistas conduziram as atividades contribuíram para que as aulas se tornassem significativas. Conforme relatos apresentados:

Gostaram, participaram e se divertiram nas aulas de Língua Portuguesa.

Eles gostam quando recolho o “Caderno de Produção” para mostrar e levar no nosso encontro alguma atividade desenvolvida em sala de aula.

As atividades levaram os alunos a ter um desempenho muito grande. Melhoraram a leitura e a produção de vários tipos e gêneros textuais. Além de passarem a utilizar as mídias como ferramentas de estudo.

Considerações Finais
Queremos dizer que não consideramos esta formação como suficiente para a exclusão de outras formações. Apenas evidenciamos alguns relatos que são reveladores de uma prática pedagógica comprometida do professor no sentido de atuar de forma consciente, produtiva e adequada à sua comunidade, valorizando as práticas democráticas, propiciando aos alunos o desenvolvimento de habilidades de compreensão, interpretação e produção dos mais diferentes textos.
Mudanças de atitudes vêm sendo desencadeadas, pois os professores que antes da formação apenas pediam que os alunos produzissem textos – hoje elaboram seus textos e apresentam para seus alunos – a isso chamamos parcerias reais. Os alunos, por sua vez, começam a compreender a leitura como forma de superar as desigualdades existentes onde vivem. Muitas aulas de Língua Portuguesa – estão com “gostinho de quero mais”. As atividades de leitura e escrita (realizadas a partir dos estudos do Gestar II) têm possibilitado aos usuários professores e alunos, de forma eficiente, a prática e a reflexão sobre as diferentes situações sócio-comunicativas, os gêneros e as técnicas (mídias), visando dessa forma, a inserção de professores e alunos na sociedade, como cidadãos conscientes, capazes não só de analisar as várias situações de convivência social como também de fazer uso das diferentes tecnologias a fim de se expressar criticamente em relação a elas.

Referencias Bibliográficas
COSCARELLI, Carla Viana. Novas tecnologias, novos textos, novas formas de pensar. 3ª ed. Belo horizonte: Autêntica, 2006.
LAMPERT, Ernani. Experiências inovadoras e a tecnologia educacional. Porto Alegre: Sulina, 2000.
POCHO, Claudia Lopes. (et al) Tecnologia Educacional: descubra suas possibilidades na sala de aula. 2ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.
Programa Gestão da Aprendizagem Escolar – Gestar II. Guia geral. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2008.
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua portuguesa. Brasília: MEC/SEF, 2001.

Apresentação do Programa Gestar II em Alta Floresta


Professora formadora Eliane

Coordenadora do Gestar II em Alta Floresta _ Maria Luiza






Diretor do CEFAPRO – José Marcos apresentando o Programa Gestar II em Alta Floresta - MT
Árvore dos desejos - O que os cursistas esperam do
Programa Gestar II em Língua Portuguesa e o que
trouxeram para contribuir com essa formação.

FOTOS DA OFICINA 5 TP3 – Tipos e gêneros textuais – SECITEC